Na passada 6ª feira, 4 de Julho, um grupo de activistas tomou o edíficio onde se situa a embaixada do Japão em Lisboa, e munidos de uma faixa de 6 metros onde se lia “G8 à mesa – um mundo à Fome”, com o objectivo de denunciar as consequências da política anti-democrática neo liberalista do G8, e as suas falsas receitas para as crises actuais. alimentar, climática e social.

Bloqueando-se suspensos numas escadas de emergência durante mais de três horas,

Estendendo uma faixa de 18 m2 em frente ao andar da Embaixada do Japão, os activistas responderam à chamada internacional da Via Campesina, para assinalar o dia de luta pela “Soberania Alimentar”, juntando-se assim à contestação global ao G8, que verá as principais cidades do mundo, palco de dezenas de acções directas anti-globalização.

Esta acção directa, consistia em denunciar as desonestas acções do G8, em especial à política de produção de comida, entregando o comunicado de imprensa ao público à volta e à Embaixada do Japão.

Enquanto a segurança em conjunto com a polícia, lograva retirar os actvistas da plataforma, outros activistas informavam o público e a imprensa do motivo desta acção. Apesar das negociações para descer da platforma terem falhado, o documento chegou a ser entregue em mão a membros da Embaixada. No final, apesar da resistência possível, os seguranças do edíficio conseguiram jogar as mãos à faixa rasgando-a e pondo assim um ponto final a esta acção – os activistas foram apenas identificados e o proprietário decidiu não apresentar queixa.

Os orgãos de imprensa, após chamados ao local, foram impedidos de fazer o seu trabalho, defendendo-se o proprietário e a polícia do estatuto de propriedade privada. (Viva o Indymedia!) No entanto foi com surpresa, que a acção foi notciada em outros meios de comunicação social! Qual será a atenção que os media darão aos acontecimentos que rodeiam o G8 no Japão nos próximos dias?

Embora o discurso do G8 possa soar promissor, na verdade, os resultados destas reuniões têm-se traduzido em acordos bilaterais com países fragilizados, por séculos de colonização e desastres naturais. Em troco de perdões da sua dívida externa (já paga há muitos anos pela usurpação dos recursos naturais desses mesmos países) são obrigados a: retirar as taxas alfandegárias que protegem a sua economia local e a abrir mão dos seus campos agrícolas para monoculturas para exportação e agrocumbustíveis. Campos esses, que de outra forma seriam usados como sempre foram: para a subsistência alimentar das comunidades. Este direito à produção dos nossos próprios alimentos, pode parecer garantido na Europa, mas é um pouco por todo o mundo, o maior ataque às comunidades rurais que dependem da agricultura para a sua sobrevivência.

O Japão, anfitrião desta reunião dos 8 que se julgam os senhores do mundo, foi ainda recentemente na 9ª convenção da Biodiversidade das Nações Unidas, o fórum que engloba quase todos os países do mundo (fora por vontade própria: EUA, Argentina, Austrália, Canadá – maiores produtores de OGM´s!), o maior bloqueador de um consenso que se encontrava praticamente acordado. A conclusão seria um protocolo comparável ao de Quioto, onde os países se comprometeriam a tomar medidas necessárias e pouco ambiciosas, numa tentativa imperativa de travar já a dramática perca de Biodiversidade. A conclusão destas negociações (COP9) ficou adiado devido ao bloqueio do Japão e de uma pequena minoria de outros países que serviram de porta-vozes aos interesses comerciais representados por países como EUA e Canadá.

Esta foi uma acção de solidariedade com as lutas que movimentos sociais, como a Via Campesina, travam no dia-a-dia pela sobrevivência no meio rural contra a industrialização da agricultura, a monocultura do modelo de exportações imposto, a privatização do património natural por multinacionais.

Em solidariedade também com 13 activistas italianos que enfrentam uma acusação nos tribunais que pode levá-los a cumprir penas de 50 anos! São acusados de tomarem parte nas organizações do G8 em Génova 2001. A sua liberdade está em risco por lutarem por um mundo mais justo, democrático e transparente onde a liberdade seja genuína.

http://linux7.sanpal.co.jp/no-g8

http://viacampesina.org/main_en/index.php

The G8 has to clear up the crisis that they have created!

The representatives of the 8 richest countries of the world will meet on the 7th-9th of July 2008 in Hokkaido in Japan. These governments have imposed policies that are the root cause of the crisis in food and agriculture. This worldwide crisis started to emerged in the seventies and kept 852 million people in extreme poverty, people mainly living in rural areas. The recent food price crisis has brought the crisis to the cities where people cannot buy enough food. The climate crisis, caused by the extensive use of fossil energy in industrialized countries and the massive deforestation by TNCs, will hit especially the poor in the South.

The reaction of the WTO, World bank, as well as the G8 governments has been disastrous: they only push more of the same polices that are at the root of the current crisis: more liberalisation, more support for fertilizers and industrial seeds, a green revolution in Africa, more food aid, and a rapid expansion of agro-fuels. Mainly due to the attitude of the G8 countries, no advance at all was made at the High level Conference organized by FAO, and the TNCs were not prevented from pushing through their disastrous initiative on agro-fuels.

Enough is enough! It is irresponsible that you together with multilateral institutions continue to destroy our food production and hand us over to the mercy of a handful of TNCs and the international markets, who are incapable of and not interested in feeding the world!

We have to stop the corporate takeover of the agricultural and fisheries sector. The answer to the climate crisis and the food price crisis is peasant, small-producer-based food production based on local resources and for domestic consumption!

We want the G8 to be responsible and to take adequate steps to avoid a deepening of this potentially explosive crisis:

-Stop the corporate-driven production of agro-fuels.

-Stop the liberalization of agricultural markets and fisheries and end the WTO, FTA, and EPA negotiations.

-Stop the failures and quick fixes. We need an in-depth analysis of the crisis and the development of international and national policies that protect and strengthen peasant-based and small-holder food production.

The G8 governments and their TNCs bear the full responsibility for the climate and food crisis. Through their economic power they control the UN system (FAO, World Food program, IFAD,…), WTO, World bank, IMF, and the negotiations on the Free Trade Agreements.

The G8 governments have to make decisions to solve the crisis and should allow other countries to take necessary measures. The G8 at this crucial moment will be decisive for the fate of hundreds of millions of people all over the world. The G8 has to make decisions to clear up the disaster that they have created.

Get mobilized, come to Hokkaido!

Peasant, small-producer-based, and agro-ecological food production for domestic markets is the best answer to the climate and food-price crisis

Time for food sovereignty has come!

July 4th -9th Peoples’ Action Days
Action program in Hokkaido during the G8 summit

July 4 Food Sovereignty Day. mobilization by international movements.
July 5th Debate on Climate Crisis and mobilisation
July 6th Women Actions
July 7th Mobilisation Asian Social Movements
July 9th Press Conference

For more information go to www.viacampesina.org

A Different World is Possible!–A Statement of the Anti-G8 Summit Hokkaido (Ainu Mosir) Liaison

We are against the G8 Summit at Lake Toya and do not condoneneo-liberal globalization. (By neo-liberalism, we are identifying themovement to abolish various restrictions to capital toward alaissez-faire modus operandi. While the world becomes a cross-bordermarket via this kind of globalization and powerful companies inpowerful states amass more and more power, many people in the worldare forced to live in starvation and poverty, and are subject to grossdestruction of their livelihood.)

From July 7th to July 9th, 2008, the G8 Summit will be held at LakeToya, Hokkaido. Participants of the so-called Group of Eight consistof the United States, Britain, Italy, Germany, France, Japan, Canada,and Russia, whose total populationis come to merely 14% of the world’stotal population. Nonetheless, those eight countries claim that theyshould make the whole world’s most important decisions.

We can no longer allow insecurity of our livelihood and employment,nor the deterioration of our working conditions.

We have had enough disparities in our society, yet they are on theincrease all around the world.

Imported agricultural products have been increasing under the name offree trade. Farmers cannot continue to farm if nothing is done. Thesafety of our food is being threatened. We are all facing greatdifficulty. This is happening all around the globe.

Environmental issues are dealt with at the egotistical whims ofsuperpowers which have promoted the use of dangerous and ineffectivenuclear power under the color of CO2 reduction. This too goes onacross the world.

G8 countries have made the world a casino of speculative capital. Theprice of oil rises suddenly; the price of grains go up. Then, asusual, the people are the ones who suffer. It is the lives of peopleall over the world that are placed on the betting tables of capital’scasinos.

Poverty is expanding around the world. G8 countries hold in hostileregard countries in Central and South America that have taken a standagainst poverty.

War and police states are strewn about the globe. New weapons aredeveloped one after another, and G8 countries sell them worldwide. Inthe name of anti-terrorist policies, peace, human rights, anddemocracy are in great jeapardy.

We think the globalization promoted by the G8 countries causes theseissues. In solidarity with ordinary people around the world, we areresolutely against their neo-liberal globalization.

We fight in solidarity with the socially oppressed and discriminated,such as people with disabilities and women.

G8 countries have a long history slaughtering and oppressingindigenous peoples. Moreover, Japan, the summit chair, does notrecognize the aboriginal rights of the Ainu people. We do not condonethese injustices and fight in solidarity with the people of Hokkaidousing all forms of speach, behavior, and expression nominallywarranted by the Constitution of Japan.

We appeal to all thinking people: let’s put our minds together, raise our voices in all our diverse ways and fight!

January 22, 2008

Pela soberania alimentar – um pedido de reviravolta no sistema global de produção de comida.

“A Soberania Alimentar é o direito dos povos, das comunidades e dos países de definirem as suas próprias políticas agrícolas, pastorais, laborais, piscatórias, alimentares e territoriais, que se adeqúem às suas circunstâncias ecológicas, sociais, económicas e culturais. Inclui o direito genuíno à alimentação e à produção alimentar, o que significa que todas as pessoas possuem o direito a comida segura, nutritiva e culturalmente apropriada, aos recursos para produzir alimentos e ainda à capacidade de auto-sustentarem-se a si e as suas sociedades.”

in Declaração do Fórum para a Soberania Alimentar, Roma, Junho 2002

Nos dias 7 a 9 de Julho 2008, os oito países mais ricos do mundo vão reunir em Hokkaido, Japão, para discutir as actuais crises alimentar, petrolífera, climática e financeira.

Para eles chegou o momento mais propício de sempre para implementar o que a autora Naomi Klein intitulou ‘capitalismo do desastre’ (1) . Com o mundo incrédulo perante o colapso dos mercados, e com mão-cheia de argumentos cuidadosamente preparados e disseminados há meses, os representantes destes países e os seus aliados intergovernamentais, o Banco Mundial, o Instituto Financeiro Mundial e a Organização Mundial do Comércio, para além do lobby das grandes empresas transnacionais, vão insistir em replicar a receita que envenenou o planeta: mais liberalização do comércio, a eliminação de qualquer réstia de política de protecção do mercado interno por parte dos países em desenvolvimento, a promoção intensificada de fertilizantes e sementes industriais, a aceleração da incursão de organismos geneticamente modificados, a industrialização da agricultura africana e um pouco mais de ajuda alimentar como paliativo para a exclusão crónica dos mais pobres do sistema alimentar.

Os espantosos aumentos dos preços de cereais estão no entanto completamente dissociados dos problemas apontados pelos governantes e analistas: uma agricultura insuficientemente industrializada, o aumento da procura de comida em países em crescimento, as alterações climáticas, o aumento da população e mesmo a produção do etanol. A produção de cereais conheceu um recorde absoluto o ano passado (2), o suficiente para alimentar o mundo mais de duas vezes se distribuído equitativamente (3), os biocombustíveis, certamente uma ameaça a breve prazo, ainda só representaram 5% da produção de cereais em 2007 (4); a produção de carne consome de facto um terço dos cereais e monopoliza as terras agrícolas e a água, mas só tinha aumentado 3% (6) e a procura de cereais para consumo aumentou exactamente um porcento desde 2006 (6).

Os cereais estão mais caros não porque há mais bocas para alimentar, mas porque há mais dinheiro a competir por eles, em mercados de futuros onde se aposta numa escassez vaticinada. A crise alimentar é o resultado de políticas nefastas implementadas desde os anos setenta pelos países ricos e não de uma falta de produtividade: as pessoas morrem à fome não porque não há comida, mas porque não a podem pagar.

Os G8 e seus aliados instalaram um sistema de produção e distribuição alimentar de alcance global que deu primazia ao lucro sobre as necessidades humanas e correu milhões de produtores das suas terras, minou irremediavelmente a produtividade do solo enquanto envenenou o ar e a água e condenou perto de mil milhões de pessoas à fome crónica e malnutrição. Fez depender 70% (7) dos países em desenvolvimento das importações de produtos subsidiados do Norte, enquanto retirou o apoio às agriculturas locais, arrasando assim os mercados dos pequenos agricultores, favorecendo as monoculturas para exportação e eliminando eficazmente a auto-suficiência de dezenas de países na produção de comida. Ao abrigo dos acordos bilaterais e das políticas impostas em troca do saneamento da sua dívida, os países em desenvolvimento ficaram à mercê das empresas transnacionais, sendo as suas políticas agrícolas e tarifas aduaneiras completamente desmanteladas. A auto-suficiência foi substituída por um sistema verticalmente integrado de produção, distribuição e especulação de comida, inteiramente privatizado e patenteado e nas mãos de poucas dúzias de empresas gigantes.

A comida é demasiado crucial para ser uma comodidade sujeita à volatilidade do mercado liberalizado, tal como a agricultura é demasiado essencial à governância do nosso planeta para ser gerida como uma fábrica de produção em série.

Em solidariedade com La Via Campesina, com aquela metade do nosso mundo que vive na ruralidade, e em nome da humanidade, subscrevemos as seguintes medidas de inversão do rumo traçado pelos G8:

- Um regresso à independência e auto-suficiência dos povos em matéria de produção alimentar com o direito de determinarem as suas próprias politicas agrícolas.

- Uma nova governância das terras que inclui sobretudo os que as trabalham.

- O fim da dependência dos químicos, monoculturas e de sistemas de produção intensivos.

- A desprivatização dos recursos naturais como o solo, a água e as sementes, proibindo os assaltos ao solo fértil e à biodiversidade, a bio-pirataria e as patentes sobre as formas de vida.

- O fim das politicas intergovernamentais que entreguem o controlo sobre a agricultura a empresas transnacionais.

- O cancelamento imediato da obrigação de importar 5% do consumo interno e das cláusulas de acesso desprotegido aos mercados dos países em desenvolvimento.

- Retirar a negociação sobre a produção e distribuição alimentar do foro da Organização Mundial do Comércio, do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, regulamentando o comércio alimentar dentro de mecanismos internacionais genuinamente democráticos, respeitando a soberania alimentar de cada país.

- O fim da especulação em torno da comida.

O mundo seria capaz de se alimentar a si próprio desde que as políticas alimentares e agrícolas se baseassem em factos e não em mitos. Chegou o momento dos países mais ricos assumirem a responsabilidade pela crise que geraram. Chegou o momento da soberania alimentar.

(1) Naomi Klein, The Shock Doctrine”, 2007

(2) FAO, Abril 2008

(3) How we could feed the world World Socialist Movement, 2006

(4) FAO, Abril 2008

(5) World Watch Institute

(6) FAO, Abril 2008

(7) Katarina Wahlberg, “Are we approaching a global food crisis?”, World Economy & Development in Brief, Global Policy Forum, 3 March 2008

outras fontes:

FAO, World Food Situation

“Getting out of the food crisis’- Revista GRAIN, Maio 2008

“Making a killing from hunger” – Revista Grain, Abril 2008

Unnatural roots of the food crisis – Gonçalo Oviedo in BBC news, Junho 2008

A response to the Global Food Prices Crisis: Sustainable family farming can feed the world.”- La Vía Campesina, Fevereiro 2008

FOOD CRISIS (Part Two): Capitalism, Agribusiness, and the Food Sovereignty Alternative - Ian Angus in Socialist Voice, Maio 2008

“Food Aid or Food Sovereignty? Ending World Hunger in Our Time” - Frederic Mousseau, Oakland Institute, 2005

Mere sticking plasters - Kevin Watkins, The Guardian, 2 Junho 2008

Sites

Petição da 350.org: G8 e o combate às alterações climáticas

La Via Campesina

Declaração de Nyéléni – Foro Mundial pela Soberania Alimentar, 2007

Site Nyéléni

Naomi Klein

Earth First

AVAAZ

On the Commons

Food&Water Watch

Vídeo BBC World Debate: Food, who is paying the price?

Pobreza Zero

WiserEarth

Sustainable Table

Friends of the Earth

George Monbiot

Alliance for a responsible, plural and united world

FAO: World Food Situation

Artigos

“Getting out of the food crisis’- Revista GRAIN, Maio 2008

“Making a killing from hunger” – Revista Grain, Abril 2008

Unnatural roots of the food crisis – Gonçalo Oviedo in BBC news, Junho 2008

A response to the Global Food Prices Crisis: Sustainable family farming can feed the world.”- La Vía Campesina, Fevereiro 2008

FOOD CRISIS (Part Two): Capitalism, Agribusiness, and the Food Sovereignty Alternative - Ian Angus in Socialist Voice, Maio 2008

“Food Aid or Food Sovereignty? Ending World Hunger in Our Time” - Frederic Mousseau, Oakland Institute, 2005

Mere sticking plasters - Kevin Watkins, The Guardian, 2 Junho 2008

“How we could feed the world – World Socialist Movement, 2006

“Are organic crops as productive as conventional?” – physorg.com, Março 2008

FAO report reveals GM crops not needed to feed the world

It is a myth that world hunger is due to scarcity of food – Danielle Knight, 2005

“Food Sovereignty: turning the global food system upside down” - Revista GRAIN, Maio 2008

Can Organic Farming Feed Us All? – WorldWatch Institute, 2006