Arquivos por Categoria: 4JUlho2008

Na passada 6ª feira, 4 de Julho, um grupo de activistas tomou o edíficio onde se situa a embaixada do Japão em Lisboa, e munidos de uma faixa de 6 metros onde se lia “G8 à mesa – um mundo à Fome”, com o objectivo de denunciar as consequências da política anti-democrática neo liberalista do G8, e as suas falsas receitas para as crises actuais. alimentar, climática e social.

Bloqueando-se suspensos numas escadas de emergência durante mais de três horas,

Estendendo uma faixa de 18 m2 em frente ao andar da Embaixada do Japão, os activistas responderam à chamada internacional da Via Campesina, para assinalar o dia de luta pela “Soberania Alimentar”, juntando-se assim à contestação global ao G8, que verá as principais cidades do mundo, palco de dezenas de acções directas anti-globalização.

Esta acção directa, consistia em denunciar as desonestas acções do G8, em especial à política de produção de comida, entregando o comunicado de imprensa ao público à volta e à Embaixada do Japão.

Enquanto a segurança em conjunto com a polícia, lograva retirar os actvistas da plataforma, outros activistas informavam o público e a imprensa do motivo desta acção. Apesar das negociações para descer da platforma terem falhado, o documento chegou a ser entregue em mão a membros da Embaixada. No final, apesar da resistência possível, os seguranças do edíficio conseguiram jogar as mãos à faixa rasgando-a e pondo assim um ponto final a esta acção – os activistas foram apenas identificados e o proprietário decidiu não apresentar queixa.

Os orgãos de imprensa, após chamados ao local, foram impedidos de fazer o seu trabalho, defendendo-se o proprietário e a polícia do estatuto de propriedade privada. (Viva o Indymedia!) No entanto foi com surpresa, que a acção foi notciada em outros meios de comunicação social! Qual será a atenção que os media darão aos acontecimentos que rodeiam o G8 no Japão nos próximos dias?

Embora o discurso do G8 possa soar promissor, na verdade, os resultados destas reuniões têm-se traduzido em acordos bilaterais com países fragilizados, por séculos de colonização e desastres naturais. Em troco de perdões da sua dívida externa (já paga há muitos anos pela usurpação dos recursos naturais desses mesmos países) são obrigados a: retirar as taxas alfandegárias que protegem a sua economia local e a abrir mão dos seus campos agrícolas para monoculturas para exportação e agrocumbustíveis. Campos esses, que de outra forma seriam usados como sempre foram: para a subsistência alimentar das comunidades. Este direito à produção dos nossos próprios alimentos, pode parecer garantido na Europa, mas é um pouco por todo o mundo, o maior ataque às comunidades rurais que dependem da agricultura para a sua sobrevivência.

O Japão, anfitrião desta reunião dos 8 que se julgam os senhores do mundo, foi ainda recentemente na 9ª convenção da Biodiversidade das Nações Unidas, o fórum que engloba quase todos os países do mundo (fora por vontade própria: EUA, Argentina, Austrália, Canadá – maiores produtores de OGM´s!), o maior bloqueador de um consenso que se encontrava praticamente acordado. A conclusão seria um protocolo comparável ao de Quioto, onde os países se comprometeriam a tomar medidas necessárias e pouco ambiciosas, numa tentativa imperativa de travar já a dramática perca de Biodiversidade. A conclusão destas negociações (COP9) ficou adiado devido ao bloqueio do Japão e de uma pequena minoria de outros países que serviram de porta-vozes aos interesses comerciais representados por países como EUA e Canadá.

Esta foi uma acção de solidariedade com as lutas que movimentos sociais, como a Via Campesina, travam no dia-a-dia pela sobrevivência no meio rural contra a industrialização da agricultura, a monocultura do modelo de exportações imposto, a privatização do património natural por multinacionais.

Em solidariedade também com 13 activistas italianos que enfrentam uma acusação nos tribunais que pode levá-los a cumprir penas de 50 anos! São acusados de tomarem parte nas organizações do G8 em Génova 2001. A sua liberdade está em risco por lutarem por um mundo mais justo, democrático e transparente onde a liberdade seja genuína.

http://linux7.sanpal.co.jp/no-g8

http://viacampesina.org/main_en/index.php